No dia das pegadas de dinossauro desejei não andar mais. Estava decidido, queria passar os dias deitada ao sol numa praia de areias brancas e águas cristalinas a ler livros. Queria, mas nós não somos assim, pois não? Não nos bastou a caminhada no Cabo Espichel na torreira do sol à procura de pégadas de dinossauro que não passavam de buracos nas escarpas das arribas. Buracos que podiam ter sido feitos por qualquer um ou qualquer coisa, mas que afinal parece que um dia alguém comprovou cientificamente que são de dinossauros. Pegadas essas que ficaram registadas na segunda fotografia abaixo deste parágrafo de texto mas que ninguém vai conseguir ver, assim como nós não conseguimos ver quando lá chegámos e tivemos que nos socorrer das legendas do painel informativo.




Ainda assim, caminhámos. Caminhámos porque eu pensava que tu querias ver pegadas de dinossauro e porque tu pensavas o mesmo em relação a mim. Depois de uns dois ou três quilómetros a caminhar viemos a descobrir que afinal nenhum de nós estava necessariamente interessado nas pegadas de dinossauro, ou especialmente crentes em relação ao que íamos ver. Mas era tarde para voltar atrás, por isso fomos, e ficámos desiludidos, e sem água, e cansados de andar de havanaias por caminhos de pó. Mas fomos e voltámos com mais uma história para contar. Vamos dizer a toda a gente para não ir ver as pegadas de dinossauros.


Apesar disso, de ter decidido que não queria caminhar mais, entendi que queria ir a Tróia mesmo sabendo que era uma pensínsula provavelmente sem graça onde não havia nada especial para fazer a não ser praia. Aí está, o que eu queria era praia porque sabia que tu descansas e eu posso ler e apanhar sol. Fomos. Fomos com sombrinha e toalhas de praia. Fomos em direcção a Setúbal e atravessámos no catamarã para a península de Tróia onde fizemos isso mesmo, tu descansaste e eu li, deitados na areia. Nada mais havia para fazer sem carro naquele sítio. Mas o importante é que estávamos ali, em Tróia. E tu disseste-me que só te levo para sítios longe de tudo. E eu pensei que ainda bem que te deixas arrastar por mim e alinhas sempre nas minhas ideias malucas. Tróia foi mais ou menos como os dinossauros, não foi surpreendente. Contudo, resultou numas boas horas de praia. 



Às quatro da tarde Tróia deu o que tinha a dar e fomos para Setúbal. Eu queria ver aqueles barcos de pesca feitos em madeira, todos coloridos. Imaginava-os a brilhar ao sol e com as suas imagens reflectidas na água. Acontece que quando finalmente chegámos ao pé dos barcos era o fim de tarde e já muitos tinha partido para a faina. Alguns permaneciam lá à nossa espera. E o mais importante é que tu foste comigo, percorreste Setúbal na torreira do sol para que eu visse os barcos. 








Eu também percorri Setúbal para que encontrasses uma cabeleireira para cortar o cabelo, e encontraste. E nessa procura vimos ruas estreitas enfeitadas e coloridas. Aí também percebemos que os habitantes de Setúbal não cortam o cabelo, porque ninguém naquelas ruas nos sabia indicar a existência de um salão de cabeleireira. Aí aconteceu também que eu chamei bêbeda à senhora da loja de artesanato, mas essa é uma daquelas histórias resultantes do facto de eu ser distraída e que acabam por ser momentos embaraçosos para não contar a ninguém. 



























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