Assim, de um momento para o outro, tomo e aceito a decisão de abrir o roupeiro e vazá-lo ficando só com o básico, o que sei que uso mesmo. Deito fora da minha vida os papéis das gavetas, as peças que guardei só pelo valor sentimental mas que nunca me lembro que existem e ficam a ocupar espaço. Despeço-me do "Não uso agora, mas se calhar um dia vai fazer-me falta". Parece que de repente o que existia na minha vida e ficava preso no tempo do "talvez" se tornou num redondo e certo "sim" ou "não", minimizaram-se as áreas cinzentas. Agora percebo que prefiro os básicos aos padrões e uma mala de qualidade a dez outras quaisqueres. Agora compro uns stiletos pretos porque sei que há-de haver dias em que me apetece sentir mesmo feminina e basta-me ter uns, os certos, porque o que gosto na verdade é de andar confortável. Agora ponho rímel todos os dias porque gosto mesmo das minhas pestanas e quero fazê-las sobressair, quero cuidar de mim. Agora prefiro a simplicidade do branco e preto na decoração e consigo em tantos anos cheirar um perfume e decidir: é este o cheiro que quero para mim todos os dias. Agora sei esperar que as paredes brancas, com pregos pregados, possam um dia ser ocupadas por coisas que um dia farão sentido, quando as encontrar. Agora, neste momento e sem prejuízo do que já fui ou do que serei amanhã ou depois, sinto-me muito mais básica, simples e de bem com isso. 

5 comentários

  1. É bom simplificar a vida e "minimizar" as zonas cinzentas. Também ando a precisar de fazer uma limpeza ao roupeiro mas ainda não tive coragem para começar.

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  2. Á isso chama-se crescer, amadurecer, aprender. Boa! :)

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