E o tema deste mês qual é? ARQUITECTURA. Porquê? Gostaria de dizer que há uma história fantabulástica sobre o nosso interesse pelo tema arquitectura, mas a verdade é que estamos metidas nisto porque a Catarina Coelho sugeriu o tema e nós, simplesmente, como já vem sendo hábito, dissemos que sim. Correu-nos bem porque parece que, coincidentemente, esta semana decorreu o Dia Mundial da Arquitetura. Não pensámos nisto na altura, mas é uma prova de que o universo está alinhado connosco (ou nós com ele? Enfim, não vamos por aí!).

Diz a Wikipedia, essa fonte inesgotável de informação fiável (percebem a ironia?), que a arquitectura "refere-se tanto ao processo quanto ao produto de projectar e edificar o ambiente habitado pelo ser humano." Bonito, não é? Pois bem, agora que já temos conceito, vamos lá perceber o que me guiou neste mês de 6 on 6.


Não estava necessariamente entusiasmada com este tema até que percebi que era uma óptima oportunidade para olhar para a arquitectura da minha vila. A primeira ideia que me surgiu foi fotografar o prédio de dez andares. Considero-o o edifício mais out da minha vila e um símbolo das extravagâncias arquitectónicas dos anos setenta (ou antes? Não sei, o que é certo é que me parece muito vintage). Encontram-se pelo Algarve muitos edifícios destes, muitas vezes parecendo simplesmente deslocados, pouco naturais e diria mesmo forçados, construídos obviamente sem grande planeamento estético, numa altura em que não deveria haver PDM mas que havia, sim, um aumentado crescimento da construção urbana. A verdade é que não havendo meios de proibir os devaneios arquitetónicos da altura (deviam achar que era um símbolo de ostentação de poder colocar uma torre no meio de uma cidade ou vila), aconteceu isto. Normalmente encontram-se estes monos nas zonas do litoral, à beira-mar plantados, em zonas como Monte Gordo ou Alvor, para onde iam passar férias a classe média alta do Estoril no mês de Agosto. Contudo, a nós, pequena vila do barrocal algarvio (talvez porque estávamos em rápido crescimento económico devido à indústria corticeira?), calhou-nos um também. Numa vista panorâmica da vila lá está ele, plantado em pleno centro, ladeado por prédios de três ou quatro andares, o que faz parecer ainda mais um impostor visual. Somos ou não somos uns sortudos? 

Mas nem tudo são monos em São Brás de Alportel. O centro histórico para mim é um dos mais lindos, esse sim perfeitamente preservado, harmoniosamente organizado, com casas antigas, fachadas de azulejo e bonitos frisos. Quanto ao mono não há nada a fazer (a não ser esperar que caia de velho, desde que não magoe ninguém), mas a verdade é que de resto há uma certa coesão nos espaços criados, o que traz uma certa tranquilidade visual e nos permite respirar quando circulamos na rua, sem sentirmos que estamos a ser engolidos pelo betão. 

Contudo, a contemporaneidade também chegou cá. Aqui e ali, nas zonas mais periféricas, também se vão encontrando um ou outro edifício com um look mais arrojado visualmente, como se aderissem às mais altas tendências da moda arquitectónica mundial, com linhas direitas, minimalistas e sem grandes conversas. Acho-lhes piada, dão um toque de modernidade e claramente destoam do estilo do resto da vila, colocando-nos com um pé no futuro. É a tal história: "primeiro estranha-se, depois entranha-se", e no fundo já é tudo uma miscelânea muito grande de estilos e tendências. É o futuro, não há nada a fazer quanto a isso. Para mim se não nascerem mais torres já está óptimo.     

Ocorreu-me agora que até este ponto da minha escrita posso ter sido demasiado negativa em relação ao mono de dez andares e pareceu-me que seria interessante fazer agora o exercício de tentar olhar para ele de forma positiva (porque vale sempre a pena, certo?). Pois bem, estou preparada para abraçar a torre e olhar para ela positivamente. Sintam o silêncio do meu cérebro a pensar, o tique - taque do ponteiro dos segundos a passar e... Não! Não há um aspetos positivos naquilo. Há-de ser sempre um mono, hei-de ver sempre um copo meio vazio quando olho para ele. Isto é o quanto o adoro (sarcasmo, viram?). Mas vá, há muitos copos cheios em São Brás, como já disse. Há também edifícios muito algarvios, com símbolos da arquitectura da região: as chaminés algarvias, essas sim, muito mais agradáveis visualmente, cheias de detalhes e mimosices. 

Vamos lá espreitar agora como é que as restantes meninas projetaram este mês de 6 on 6?     

14 comentários

  1. Ahah não há SEMPRE um mono em qualquer lado assim bonitinho?! Parece impossível! :p Mas sim, o Algarve é rico nisso! Já a 4a foto - adorei. Parece que conta um segredo :)

    Jiji

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    1. O problema é que na arquitectura do algarve destoam, sobretudo aqueles que estão no meio de outros prédios mais pequenos. Baaah! :D

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  2. Perspectivas interessantes, Vânia! :D Adoro o padrão do edifício da segunda foto; é precisamente o tipo de pormenores que me escapam quando não estou a pensar no assunto. Este desafio foi brilhante no sentido de nos fazer olhar mais para o que está à nossa volta, não achas? :)

    A casa da última foto é linda e ganhou uma aura meia cinematográfica com o preto e branco. Muito bom! :D

    Joan of July

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    1. Também achei que ia ficar mais marcante a preto e branco, a última e gostei do resultado.

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  3. Mais uma vez, existem pontos semelhantes no nossos desafios. Tal como eu, foste à descoberta da tua vila, como eu fui à descoberta desta zona de Gaia. E encontrei casas bem parecidas com a da segunda foto, que adoro! <3 E essas chaminés algarvias? São tão bonitas! Adorei a história que contaste ao longo desta publicação. Quanto ao mono... Olha, faz parte :P em todo o lado há um desses! Eheh.

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    1. Sim, encontrámos azulejos e andámos a percorrer as nossas terras. :D

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  4. Gostei muito da segunda foto, dos azulejos e da última! =)
    Beijinhos

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    1. Também gosto da dos azulejos pela cor. :D

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  5. Que lindas fotos! Se há coisa que adoro é a arquitectura algarvia e as suas casas típicas! Coisa mais linda!

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