Por estes dias andei por caminhos que não lembram ao diabo, conheci os 7 habitantes da Aldeia da Pena e descobri que existem placas em Portugal que dizem: "Teste travões" e "Trave com o motor". Não percebi é porque é que só nos mandam testar os travões quando já estamos a descer, o que me fez pensar que, se os ditos cujos falhassem, seria um pouco tarde para descobrir e teríamos conhecido de perto a garganta do Vale Glaciar.

Passei frio na Guarda, como não poderia deixar de ser, mas em contrapartida vi árvores enfeitadas com malha colorida, produzida pelas instituições sociais do concelho. Aí fui atendida num restaurante por uma rapariga simpática que me colocou a mão do ombro e me disse um simpático "Não faz mal" quando me desculpei por fazer perguntas a mais e fazer pedidos estranhos, como um chá para beber com a refeição. "Mas o chá é para beber com a comida?", perguntou com estranheza. Sim, era. Qualquer coisa para me aquecer! Ainda lhe perguntei de que era feita a alheira o que não me soube responder e quanto à Feijoada à moda do Porto disse-me que era feita com feijão (a sério?) e "coisas da parte de dentro do porco". Enquanto dizia isto franzia a cara e confessou-me a seguir que não gostava nada. 















Na Serra da Estrela deslizei monte abaixo com o Sérgio, o que foi divertido sim, mas quase atropelávamos alguém, Além disso o trenó partiu-se e às tantas já entrava neve por tudo quanto era lado. Primeira vez a fazer sku. sobrevivi e o meu rabo também. O trenó já não pode dizer o mesmo! Para nós aqui que ninguém nos ouve, ainda bem que se partiu o trenó porque de qualquer forma não teríamos lugar para o levar no carro. Com malas de inverno de quatro adultos e uma criança, mais parecia que íamos emigrar e tínhamos decidido levar a casa atrás.   




Conheci gente engraçada, como não poderia deixar de ser. Cruzámos-nos com um senhor que nos aconselhou a não ir ao café do primo porque este era careiro, era melhor irmos antes ao outro que ficava ao lado e vendia o café a 50 cêntimos. Conhecemos o dono de um restaurante que estava fechado (o restaurante estava fechado, não o dono!). Viu-nos a espreitar para o restaurante porque afinal as portas estavam abertas (estavam em limpezas) e não nos deixou afastar sem levarmos um monte de cartões. Disse-nos que era melhor fazermos reserva e quis que levássemos cartões para distribuir pelos amigos. Tentámos explicar que os nossos amigos estavam a quilómetros de distância e não eram precisos tantos cartões, mas não nos ouviu. O senhor que nos desculpe, mas quando demos por nós a Ema (a criança) estava já a usar os cartões para fazer um mini-livro de faz de conta, enquanto dizia: "Adivinha o que é que vamos brincar  a seguir!".






















Em Manteigas conheci a Mãe Natal. Às oito da noite as ruas estavam desertas, mas havia música no jardim e uma tenda branca ao género de um iglô. Espreitei. O meu mal é espreitar! A senhora veio receber-nos no seu fato de mãe Natal e começou a dar-nos conversa. Já não nos deixou sair sem nos explicar o que era a tenda e ainda nos fez voltar atrás para nos oferecer um doce feito com um ingrediente secreto que não há à venda em Portugal. Não lhe arrancámos o ingrediente secreto, apenas explicou que é algo que tem que importar do Norte da França, onde estão as suas origens. Fosse o que fosse, sabia bem! Esquisita como sou, mais vale não conhecer o ingrediente secreto!



Vi vacas a caminhar na estrada como quem anda a ver as montras e fui "roubada" na Serra da Estrela, no centro comercial. Deixei-me roubar, diga-se antes assim. Tudo o que eu queria quando entrei era comprar umas peúgas de lã para o meu avô. Saí de lá com as peúgas sim senhor, mais um saco cheio de queijos, um paio do lombo de porco preto e um pão doce com sabor a canela. Não sei até hoje como é que tal coisa aconteceu. Lembro-me de me darem as coisas a provar e de gostar. Do gostar ao pensar: "tenho que levar isto para a mãe, o pai, as tias, a avó e a sogra provarem" foi um salto. Quando dei por mim estava a pagar a última compra, o pão e a regatear o preço com o homem. Devem ter um doutoramento em marketing, aqueles vendedores do demo! O Sérgio ainda veio em meu auxílio mas era tarde. Tudo o que pôde fazer por mim foi ajudar-me a carregar os sacos!



3 comentários

  1. Guarda, a minha cidade natal; tão alta, tão fria , tão forte e, dizem, tão feia.Mas, não. De resto, uma viagem bem divertida!Continuação de Festas Felizes! :))

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  2. Fotos fantásticas! :) Adorei as árvores decoradas com os tricôs....

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