Desisti de te perceber. Há uma certa agonia em ti, nas decisões e indecisões que me trouxeste. Agitaste tudo, viraste a ampulheta e puseste o tempo a contar para trás e para a frente com uma imprecisão que não deveria existir. Um dia hás-de fazer-me sentido, e acredito que hei-de olhar para ti como o ano que mudou todas as coisas, e que possibilitou que todos os seguintes fossem melhores. Hoje, neste preciso momento, esse dia ainda não chegou. Para já pareces-me apenas confuso, e não te consigo ler. Ainda não estou no dia em que vou olhar-te e atribuir-te créditos, ou agradecer-te por tudo. 

Deixaste-me sem chão demasiadas vezes e estou farta de pensar sempre, cada vez mais, qual é o sentido da vida, da minha vida. É que sabes, nunca tenho resposta para isso e começo a fartar-me. Acredito muitas vezes que não tenho que sabê-lo, que vou descobri-lo com o tempo, ou talvez nunca, mas também há os dias em que me canso de esperar e prefiro simplesmente admitir que tenho pressa. Era mais fácil se não pensasse, mas caramba, tenho este "dom" que me condena a refletir demasiado sobre estas merdas. 

Até chegares achava que sabia tudo, que queria tudo, que estava tudo bem. Não está. Talvez um dia me faças sentido, mas para já pareces-me somente uma grande incógnita que passou e arrebatou todas as certezas. Deste-me tanto quanto me tiraste, e ainda não consigo perceber porquê, ou para quê. Não sei que alinhamento das estrelas te fez ser tão agridoce, mas quero acreditar que és um fim que trás um bom recomeço. Ironicamente és o ano de todas as coisas, e por isso é que não te percebo. 

Podia continuar a fazer quilómetros e mais quilómetros só para confirmar o que já sei, que podemos ser felizes e infelizes em qualquer parte do mundo, e que não interessa de onde somos, ou para onde vamos, mas sim o que temos em nós. E o caminho... importa a porra do caminho que percorremos. E o amor... os afetos, a saúde. Tudo o resto é quinquilharia pura. Tu ajudaste-me a confirmar tudo isso, mas ainda não sei se devo amar-te o odiar-te por tal. Não tenho certeza de mais nada e foi essa a herança que me deixaste. É assim, a sentir-me a zeros, que começo um novo ciclo. Talvez um dia me faças sentido. Hoje ainda não é esse dia. 

5 comentários

  1. Um gosto ler-te, Vânia, apesar de toda essa incerteza. Nem tudo tem de fazer sentido - nem tudo faz, suponho...mas cuida de ti e dos teus, acima de tudo. Que 2018 seja um ano cheio de boas respostas <3

    Jiji

    ResponderEliminar
  2. Feliz ano, Vânia.e que tudo faça sentido, desde que assim o desejemos, pois às vezes, é bom não haver sentido, nem o sentido único.

    ResponderEliminar

Com tecnologia do Blogger.