Tudo começou com um jantar de família e uma tarte de limão que tínhamos comprado numa pastelaria para sobremesa. A mesma estava tão carregada de açúcar que nos deixou a todos meio enjoados, e colocou-nos a falar sobre os malefícios do açúcar para a saúde. O Sérgio, depois de anos de sermões meus sobre a importância de se moderar o consumo de açúcar (aos quais nunca ligou nenhuma, já agora!), partilhou connosco sobre um vídeo que vira recentemente, em que um rapaz tinha passado um mês sem consumir açúcar, o que resultara em benefícios claros para a sua saúde. Pegando no mote, desafiei-o a fazermos o mesmo e ele aceitou. Foi assim que assumimos o compromisso perante nós e a família de não tocar em alimentos com açúcar adicionado durante os próximos 30 dias.

Não foi necessariamente uma novidade para nós, porque desde que estamos a viver juntos que encetei um programa regrado para transformar de vez a forma como nos alimentamos. O Sérgio alinhou nisso muito bem, mas tinha sempre a tentação de petiscar porcarias aqui e ali, e este desafio foi a oportunidade ideal para mudar isso.

Sobre os princípios que regem a nossa alimentação falar-vos-ei em melhor detalhe um dia destes por aqui, mas o que importa mesmo partilhar agora é que, tendo já algum cuidado com aquilo que se come, excluir o açúcar de vez não é um grande drama, nem exige uma ginástica por aí além. Em contrapartida, para os que têm uma alimentação menos cuidada, tenho a certeza que é um grande desafio e que pode mudar por completo a forma como alguém se relaciona com a comida.

Ressacar e desintoxicar

Mais do que falta do açúcar, senti falta inicialmente da liberdade de poder comer o que quero, quando me apetece. Não tinha, até esta altura, tido restrições alimentares a não ser moderar o consumo de alguns alimentos. Na verdade nunca fui, e continuo a não ser fã de dietas, muito menos das que nos vedam por completo o acesso a qualquer tipo de alimento. Acho sempre que a proibição de comer um determinado alimento provoca maior descontrolo no seu consumo do que se o comermos moderadamente, e foi isso que constatei comigo na primeira semana. Dei comigo a ir ao supermercado e a sentir desejo por alimentos como bolachas ou chocolates, que normalmente me passariam despercebidos. E quando digo "sentir desejo" é mesmo olhar para uma bolacha com recheio de chocolate e dar comigo a salivar e a imaginar-lhe o sabor. O facto de não poder comer doces fez-me desejá-los como nunca, e creio que isso foi o meu processo de desintoxicação (sobretudo psicológica) do açúcar.


Menos vontade de consumir doces e outras porcarias

Passando as primeiras duas semanas, diria que veio a fase em que notei uma consecutiva falta de vontade de consumir alimentos doces. O palato habituou-se a outros sabores, e o cérebro deixou de estar para aí direcionado. Acho que quanto mais porcarias consumimos, mais vontade temos delas, e quando reeducamos o nosso palato, o cérebro entra noutro registo. No fundo trata-se de reprogramar o cérebro para os alimentos sem açúcar.

Maior bem estar generalizado

Não chegámos ao ponto de fazer exames de sangue para medir resultados antes e depois, mas ainda assim notámos algumas mudanças físicas: perda de peso (não eu, mas o Sérgio, que emagreceu 3 quilos). Eu notei algo tão simples como barriga menos inchada, menos azia ou sensação de enfartamento e uma energia diferente ao longo do dia. O Sérgio notou diminuição da ansiedade. Dizem que o açúcar tem efeitos no sistema nervoso central, se calhar tem mesmo. :)

Maior consciência sobre o que comer

O exercício de pensar uma vida sem açúcar obriga-nos a olhar para os rótulos. Incorporei isso de tal forma que agora tenho sempre atenção neles, só para ter a certeza do que estou a consumir. Percebi que o açúcar está presente em grande parte dos alimentos que existem num supermercado, mesmo nos salgados como fiambre, molho de soja e mostarda, por exemplo. Os cereais, mesmo as grânolas (sobretudo as grânolas), muesli, etc, etc, também contêm açúcar adicionado. As bebidas de soja, arroz, aveia e similares também, por isso é preciso saber escolhê-las (porque também há as que não têm). Por vezes pensamos que estamos a consumir alimentos saudáveis mas estamos enganados, porque muitos produtos levam um extra de açúcar, além daquele que já contêm naturalmente. No outro dia li um artigo muito interessante em que a médica Cristina Sales falava na toxicidade dos alimentos preparados pela indústria alimentar, que nos fornece produtos que o organismo não consegue processar. No fundo todos devíamos fazer essa reflexão e encarar a alimentação como algo que nos pode tirar e dar qualidade de vida, consoante as opções que tomarmos acerca daquilo que ingerimos. 

Outro conhecimento sobre alternativas saudáveis ao açúcar

Se a indústria alimentar consegue fazer algo nós também conseguimos fazê-lo em casa. Claro que dá mais trabalho comprar aveia, sementes e frutos secos, misturar tudo e torrar para fazer grânola caseira, do que enfiar um pacote no cesto e pagar na caixa do supermercado. Contudo, fazendo em casa utilizamos os ingredientes que queremos e podemos ser nós a decidir sobre o que estamos a comer. Há alimentos que já tinha deixado de comprar há muito tempo, mas isso não quer dizer que de vez em quando não recorra a eles para desenrascar. Contudo, acho que o mais sensato é tentarmos ao máximo ingerir alimentos frescos, preparados por nós de raiz, e procurar alternativas saudáveis ao açúcar como a stevia, o mel ou até mesmo tipos de açúcar menos processados do que o açúcar branco. No fundo confirmei aquilo que já sabia: quanto mais natural for a nossa alimentação, quanto mais pudermos ser nós a preparar e cozinhar diariamente aquilo que consumimos, quanto mais utilizarmos alimentos frescos em detrimento dos processados, maior controlo vamos ter sobre aquilo que estamos a comer. Isso só pode ser algo bom, ou não? 

4 comentários

  1. Um post, sobre um tema bem pertinente!...
    Também eu ando cortando no açúcar faz tempo... e aqui em casa, os doces foram abolidos... a minha mãe por causa de medicação, que toma, costuma ter os diabetes sempre no valor limite... pelo que as tentações açucaradas, foram assim evitadas... para benefício também dos demais...
    Bjs
    Ana

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  2. Excelente experiência e post, Vânia. Isto é algo que vou tentando fazer aos pouquinhos mas, confesso, ainda não me deu para ler os rótulos...agora que vou sair de casa dos pais, vou começar a ter mais controlo sobre o que tenho disponível, e uma coisa é certa: a redução nas porcarias é garantida!

    Jiji

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    1. Também foi mais fácil para mim quando saí da casa dos meus pais. Não que na casa deles comesse muitas porcarias, mas porque nem sempre era eu a fazer as compras, ou a cozinhar e porque há mais pessoas em casa o que torna mais complicado mudar a alimentação. Não estou a ver o meu pai a deixar-se ir nestas conversas. :) haha

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