Clichés. Sabem aquelas frases feitas com que nos deparamos todos os dias, em todo o lado, e que nos fazem mais ou menos sentido consoante a fase da vida em que nos encontramos? Tenho tropeçado neles ultimamente, identifico-me com quase todos, ou pelo menos uma boa parte, e venho-me apercebendo que começo a interiorizar alguma dessa filosofia aparentemente barata, mas que parece contribuir para um outro entendimento da vida. E sim, a vida tem-me dado uma árvore cheia de limões desde o início do ano, e tem-me colocado pedras no caminho. Pedregulhos do caralho, na verdade! É um facto que em três meses tornei-me numa perita em ver o copo meio cheio, em vez de meio vazio. Nunca a porra do copo pode estar meio vazio, por muito mal que algo possa parecer. Há sempre a eminência de algo bom acontecer depois dos tropeções que a vida nos provoca, podemos é demorar algum tempo a perceber o quê. Nem tudo é imediato, por vezes temos que esperar. E quem espera sempre alcança, certo?

Caramba, o Mark Manson tem mesmo razão quando diz que a vida é resolver um problema atrás do outro, e que a felicidade está em conseguir apreciar aquilo que é mais simples, algures nesse tempo que decorre entre resolver um e outro problema. O Exupéry também tinha razão quando escreveu que "o essencial é invisível aos olhos", porque é mesmo. Os afetos, a família, o amor... porra, nada faz mesmo sentido sem essa trilogia mágica. Não nos serve mesmo de nada remar contra a maré porque quando ela é de azar, vai-nos derrubar vezes sem conta. Vai cansar-nos, atirar-nos mais para baixo. Mais vale seguir ao sabor da corrente e ir lidando com o que surgir pelo caminho, até que a vida decida que já chega, e nos traga uma miragem de portos calmos para ancorar, ou uma visão do derradeiro final. Mas também não há tempestade que sempre dure, e portanto depois da merda há-de vir alguma bonança, a limonada, e as pedras que transformamos em degraus, ou as janelas que se abrem quando as putas das portas se fecham. 

Nunca levei com tanta agitação marítima na minha vida, mas também nunca tive tanto a certeza que o que não nos mata, torna-nos mais fortes. E já não há lugar em mim para tempestades dentro de copos de água. 

9 comentários

  1. Cliché é vir comentar que isto também me faz sentido...

    Keep strong!

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    1. Faz porque a vida é mesmo assim... tudo isto, todas as contradições, tudo de bom e de mau e voltas e voltas.

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  2. Força, Vânia, é tão verdade que o que não mata nos torna mais fortes. E acredito piamente que tudo acontece por uma razão e mesmo que na altura isso não faça sentido, o futuro encarrega-se de nos explicar porquê. Beijinhos

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  3. É contar até dez e seguir em frente. Sempre. Às vezes, contar até dez demora como se fosse até mil, mas o importante é sempre seguir em frente...

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  4. Faz sentido, faz muito sentido...
    Beijinhos,
    https://chicana.blogs.sapo.pt/

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  5. Eu acho que a maioria dos clichets tem um fundo de verdade. Que o copo continue sempre meio cheio e que construas um castelo com essas pedras :)

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